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O MELHOR FILME ARGENTINO QUE JÁ ASSISTI!!
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El Hijo de la novia, 2001
Ricardo Darin, Norma Aleandro e Hector Alterio...
Uns tempos atrás, conversando com alguns amigos, o papo tomou o rumo do cinema, e, particularmente, sobre o cinema argentino. Um dos nossos amigos tinha, ao que me pareceu, um profundo conhecimento sobre o assunto, eu, por ouro lado, sei pouca coisa. Não pude contribuir muito com o assunto, portanto, fiquei mais como ouvinte. Mas quando perguntaram qual o melhor filme argentino na opinião de cada um, não tive dúvidas, apontei o meu. É porque eu não sou totalmente ignorante em relação ao cinema de nossos irmãos argentinos, isto não! Mesmo porque, já faz um bocado de tempo que aprendi que a Argentina não é somente um país bonito, de belas mulheres, bom vinho, ótimo futebol, tango, poetas, e muitas outras coisas de grande relevância, mas também de grandes particularidades deste singular país; é também um país de grandes cineastas e obras cinematográficas de altíssimo nível. Nestes últimos anos, um dos melhores filmes argentinos que assisti (confesso que assisti uma meia dúzia somente) foi El Hijo de la Novia, aqui no Brasil O Filho da Noiva, recomendado que foi, pelo meu amigo Cavalcanti e sua esposa Marta. Fui, na época, à locadora que normalmente alugo filmes, e o trouxe para casa. Foi uma grata surpresa que muito nos alegrou, a mim e a minha esposa. E foi este filme que eu falei como o melhor que eu havia assistido. Porém, um dos meus amigos falou que não gostou do filme porque o roteiro é um dramalhão, meio novela mexicana, etc. Discordei e a discussão passou a girar em torno do filme em questão e é sobre o meu ponto de vista que comento (ou tento!) nesta página...
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Repito a sinopse do link da ficha técnica do filme: "Rafael Belvedere (Ricardo Darín) é um homem de 42 anos que está em crise, pois assumiu muitas responsabilidades, principalmente a direção do negócio da família, um restaurante, e não tem mais tempo para qualquer tipo de diversão. Tem uma mãe com problemas de Alzheimer e que ele quase nunca vai visitar no hospital. Tem problemas com a ex-esposa que o acusa de negligência como pai, tem problemas também com Naty (Natalia Verbeke), sua namorada que sempre lhe cobra uma atenção maior. Em meio a todas estas responsabilidades, problemas e pressão, o coração acaba não agüentando e Rafael sofre um ataque cardíaco e isto acaba sendo a sua salvação. Porque enquanto se recupera no hospital, reencontra seu amigo de infância Juan Carlos (Eduardo Blanco) que o ajuda a reconstruir seu passado e encarar a sua situação presente de forma diferente, com outros olhos".
..A sinopse que normalmente se anuncia deste filme é mais ou menos isto. O que é uma pena. Porque muita gente (pelo menos aqui no Brasil) pode deixar de assistir o filme por achar que acompanhar os problemas de um homem de meia idade argentino não é lá muito interessante. Porém, o filme é mais do que isto. Muito embora centre demais as ações em Rafael (o filho) e menos em Nino e Norma Belvedere, seus pais. No entanto, creio que esta seja uma jogada inteligente do roteiro, já que os problemas dos pais de Rafael, principalmente a doença de sua mãe e a teimosia de seu pai, em, finalmente se casar com ela, quando Norma já nem mais se dá conta do que ocorre em sua volta, talvez, não fosse melhor recebido do que a trama e o drama dos problemas de Rafael. Neste instante alguém poderia perguntar: Ora, se a trama sobre Rafael não é o mais importante e se os problemas dos pais dele seriam considerados por demais dramalhão, então em que o filme é bom? Justamente nestas considerações é que muita gente, e falo de críticos profissionais e também dos amadores, se prostram de forma bem antagônicas. Uns dizendo que o filme é uma obra-prima outros dizendo que não passa de uma comédia sem graça. Com toda honestidade, creio que não é nem uma coisa nem outra. É isto sim, uma história simples sobre pessoas comuns, contada de forma profunda, comovente e em alguns momentos engraçadas, que não aspira outra coisa do que apenas transmitir os problemas comuns de pessoas de duas gerações, a saber: a dos pais de Rafael e a dele própria, e, principalmente a inter-relação entre eles. Conduzida com competência pelo diretor Juan José Campanella dum roteiro dele próprio e de Fernando Castets; o filme consegue passar ao público as diferenças existentes entre duas gerações de uma mesma família, sem grandes alardes. E isto de uma forma simples, mas com requinte e sensibilidade. Enquanto Rafael vive preocupado com os valores que julga importante, como a situação econômica, por exemplo; seus pais vivem um romantismo que para os mais jovens está fora de moda. E a trama transcorre normalmente nestes pontos tão díspares, que é difícil de saber o que é realmente importante na vida, até que, em sua conclusão, o roteiro costura um final que valoriza o valor daquilo que realmente tem valor. Isto é, o verdadeiro amor. Talvez, esta conclusão, um tanto novela mexicana, possa ter decepcionado alguns críticos. Porém, o que esperavam? Que fosse valorizado o que, na verdade, não tem valor? Que fosse valorizado a superficialidade da excessiva importância material, a relação sexual como se fosse amor, quando o amor vem antes da relação sexual; por fim, todas as influências dos “novos”, que muitas vezes derruba ou impede que as pessoas vivam com profundidade e simplicidade suas relações e com isto vivessem, afinal, para aquilo para o qual foram criados, que é viver um para o outro? Não sei o que muitos críticos querem. A única coisa que sei é que gostei do filme e fico com a palavra final dita pela minha esposa: “O filme acaba e você fica feliz por ter assistido!” Não precisava, mas respondo a pergunta que eu mesmo fiz acima: “Em que, afinal, o filme é bom?” O filme é bom justamente em saber alinhavar os problemas das duas gerações e chegar a uma costura final em que não soa, pelo menos, demasiadamente, forçada nem piegas. Apenas expõe os problemas e deixa que o bom senso do público julgue com honestidade e sensibilidade a sua conclusão final. Além das minhas conclusões particulares, que com certeza, muitos não darão a menor importância, há de se destacar a atualidade e qualidade do roteiro que não deixa pedra sobre pedra; como a crise argentina, o FMI, até mesmo uma citação da série de TV mexicana, o “Chaves” aparece no filme, como também uma dura crítica à Igreja Católica, e por fim, o pedido de casamento no final do filme que fez minha mulher se emocionar e eu também. No mais fica o registro da excelente interpretação de Ricardo Darin, Hector Alterio e da grande Norma Aleandro, que não fez e nem precisava fazer muita coisa na história para marcar sua presença marcante no filme.
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